Carlos Daniel Romanzini
O capítulo 4 do livro “Imagens da Organização”, de G. MORGAN, apresenta uma metáfora para explorar a idéia de que a organização é em si mesma um fenômeno cultural que varia de acordo com o estágio de desenvolvimento da sociedade, variando de uma organização para outra.
Cultura e organização
Organizações vistas como fenômeno cultural
Muitas das principais diferenças e semelhanças culturais no mundo de hoje são mais ocupacionais do que nacionais. Nas organizações o sentido trabalho esta relacionado com a cultura da organização. Este relacionamento provoca uma aproximação e identificação maior do indivíduo com a organização, fazendo com que este determine novos padrões culturais fora da organização.
Organização e contexto cultural
O contexto culturas é decisivo na natureza das organizações. O ponto é que a cultura, não importa sua origem (japonesa, árabe, inglesa, canadense, francesa ou americana), delineia o caráter da organização. Compreendendo os fatores culturais que configuram os indivíduos e as suas organizações, têm-se meios para compreender importantes diferenças transacionais no comportamento organizacional.
Culturas e subculturas das organizações.
Subculturas surgem devido a que os indivíduos que compõem uma organização nem sempre estão comprometidos com ela. Nas organizações em que existem sistemas de valores diferentes entre indivíduos, principalmente os que competem entre si, criam um mosaico de realidades organizacionais, algumas extremamente diferentes das outras, em lugar de uma cultura corporativa uniforme.
A criação da realidade organizacional
Ao se falar sobre cultura, está sendo feita uma referência ao processo de construção da realidade que permite às pessoas ver e compreender eventos, ações, objetos, expressões e situações particulares de maneiras distintas.
Cultura: Obediência a regras ou representação
Representação, segundo Karl Weick, é o processo com o qual configuramos e estruturamos a nossa realidade. Com o reconhecimento que atingimos ou representamos a realidade do mundo do dia-a-dia, temos uma forma de pensar sobre a cultura. Através disto podemos compreender cultura como um processo contínuo, proativo da construção da realidade, e que dá vida ao fenômeno da cultura em sua totalidade. Desta forma a cultura é compreendida como um fenômeno ativo, vivo, através do qual as pessoas criam e recriam os mundos dentro dos quais vivem.
Organização: Representação de uma realidade compartilhada
Considerando os relacionamentos diários entre pessoas em uma organização do ponto de vista do processo da construção da realidade, novas descobertas sobre o funcionamento do grupo e da liderança também emergem. Descobre-se que a formação de um grupo ou o processo de se tornar um líder, em última análise, depende da habilidade de criar um senso compartilhado de realidade. Descobre-se que grupos coesos são aqueles que crescem em torno de entendimentos comum, enquanto grupos fragmentados tendem a ser aqueles que se caracterizam por realidades múltiplas.
Forças e limitações da metáfora da cultura
Um dos principais pontos fortes da metáfora da cultura reside no fato de que esta dirige a atenção para o significado simbólico ou mesmo “mágico” da maioria dos aspectos racionais da vida organizacional. Ressaltando o significado simbólico de cada aspecto virtual da vida organizacional, a metáfora da cultura centraliza a atenção sobre o lado humano da organização que outras metáforas ignoram ou encobrem.
Outra importante força nasce do fato de mostrar que a organização repousa sobre sistemas de significados comuns e, portanto, em esquemas interpretativos que criam e recriam aquele sentido, oferecendo a metáfora um novo foco e via de acesso para a criação da ação organizacional.
Um último ponto forte da metáfora cultural é a contribuição que esta presta à compreensão da mudança organizacional.
Entretanto, uma das principais limitações desta metáfora reside no fato de que qualquer intenção de mudança pode representar um grande trabalho em todos os indivíduos da organização, pois é deles que provêm, em grande parte, a subcultura da organização. Outro fator limitador está intimamente ligado a este fator, pois, dependendo da complexidade e força da cultura organizacional, a flexibilidade torna-se extremamente limitada as características da organização.
A mudança de cultura de uma organização, implica ou não na mudança da cultura de cada indivíduo que a compõe?
Pode a cultura de uma organização ser o fator de resistência a mudanças?
Pode-se estabelecer uma cultura organizacional realmente flexível, que se adapte facilmente as mudanças exigidas do mercado?
Neste metáfora analisa-se as organizações enquanto culturas. Há uma determinada maneira específica em que a organização se organiza e é transmitida através da linguagem, ritos, mitos, história. Tudo isto interligado é o que constitui a cultura de determinada organização. Acredito que é desta maneira que podemos distinguir, ou até diferenciar, uma organização de outra semelhante.